O movimento “Esgotei”, autodeclarado suprapartidário, colocou na pauta do Ministério Público a exigência de paralisação das obras do Complexo Viário Beira-Rio, projeto de mobilidade urbana que sequer teve sua construção iniciada. Porém, o que se apresenta como preocupação legítima com o meio ambiente esconde conexões políticas claras. A presença de digitais da família do senador bolsonarista Efraim Morais (PL) afasta qualquer verniz de neutralidade do grupo.

A suposta independência do Movimento Esgotei encontra seu limite no orçamento público. No ano passado, o deputado estadual e líder da oposição na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), George Morais (PL), destinou uma emenda parlamentar de R$ 50 mil ao grupo. George Morais é irmão do senador Efraim Filho. O repasse foi viabilizado através da CIENTEC, uma associação de professores, com a justificativa de fomentar campanhas de conscientização e estudos técnicos.

Agora, abastecido por recursos direcionados pela oposição política, o movimento Esgotei tenta impedir a construção do Viaduto do Altiplano, em João Pessoa, uma obra vital para destravar o trânsito da capital paraibana, que vira refém de interesses que vão muito além da preservação ambiental.

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Durante a audiência conduzida pelo promotor Edmilson de Campos Leite Filho, Marco Túlio Gusmão, liderança do Esgotei, discursou negando qualquer pretensão política. Contudo, a composição da mesa contava outra história. Ao seu lado estava o professor Joácio de Araújo Morais, atuando como representante da sociedade civil. Joácio Morais é primo do senador Efraim Filho, principal nome da extrema direita na disputa pelo Governo do Estado em 2026.

A investida contra o viaduto surge exatamente no momento em que o prefeito Cícero Lucena (MDB) se articula para a corrida estadual, tendo o primo de Joácio como um de seus adversários mais fortes.

O argumento central de Joácio Morais para exigir a paralisação do Complexo Viário Beira-Rio foi uma suposta ausência de licenciamento. A tese foi rapidamente rebatida pelo secretário municipal de Infraestrutura, Rubens Falcão, que demonstrou a regularidade do processo em andamento. O secretário apresentou os seguintes fatos:

  • A Licença Prévia para a obra já foi devidamente concedida pelos órgãos competentes.
  • O Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) encontra-se em fase de elaboração.
  • O Plano de Controle Ambiental (PCA) e o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) estão sendo rigorosamente formulados.

A pronta resposta da prefeitura esvaziou a denúncia, revelando que o pedido de paralisação baseava-se em precipitação ou desinformação deliberada para tumultuar o cronograma.

A credibilidade de um movimento ambiental é medida pela consistência de suas cobranças. O Esgotei, no entanto, sofre de uma indignação seletiva. Enquanto promove intensa cruzada contra um viaduto em fase de projeto, o grupo contemporiza diante de danos ambientais muito mais graves e urgentes na Paraíba, como os episódios de esgoto lançado nos rios e a suspensão de exames de balneabilidade nas praias, além de danos à fauna nas obras da Ponte para o Futuro.

Para quem perde horas preciosas do dia no estrangulamento das avenidas Beira-Rio e João Cirilo, ou tentando acessar o Altiplano, Cabo Branco e Portal do Sol, o viaduto não é uma disputa política; é o fim de um sofrimento diário. A obra busca modernizar a mobilidade em uma região colapsada.

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