A Paraíba tem 843,09 km² de área urbanizada. Desse total, 77,75 km² são loteamentos vazios, o que representa 9,2% da área mapeada. A proporção é quase o dobro da média nacional (5,5%) e empata com a do Nordeste (9,3%). O dado, divulgado nesta quinta (15) pelo IBGE, escancara um descompasso: o solo já foi parcelado, mas a ocupação efetiva não acompanhou.

Para quem busca moradia ou investe em imóveis na Paraíba, o número tem dois lados. De um lado, sinaliza oferta futura de terrenos, áreas que podem virar bairros. De outro, indica que parte desses loteamentos pode estar parada por falta de demanda real, infraestrutura ou por especulação imobiliária. Isso significa que, antes de comprar um lote vazio, o comprador precisa verificar se há água, esgoto, energia e transporte público no local. Do contrário, o terreno pode virar um passivo, não um lar.

Campina Grande lidera, mas Conde e Queimadas aceleram

Entre 2019 e 2022, a área urbanizada da Paraíba cresceu 10,68% (81,35 km²). Quem mais expandiu a mancha urbanizada foi Campina Grande, com 6,18 km² a mais. Em seguida vêm Conde (5,12 km²) e Queimadas (4,76 km²). João Pessoa, que já concentra 113,55 km² de áreas urbanizadas, também cresceu 3,84 km² no período, mas num ritmo menor proporcionalmente.

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Campina Grande é o segundo maior polo urbano do estado e atrai investimentos em serviços, indústria e educação. Já Conde e Queimadas estão na região metropolitana de João Pessoa e na área de influência de Campina Grande, respectivamente. A expansão nessas cidades sugere que a pressão por moradia está se deslocando para os municípios vizinhos, o que aumenta a demanda por infraestrutura viária, saneamento e equipamentos públicos nessas localidades.

O que os dados permitem cobrar

Os números do IBGE são um retrato oficial e público. Prefeituras podem usá-los para identificar onde a ocupação está avançando sem planejamento e onde há loteamentos vazios que precisam de regularização ou de estímulo à construção. Cidadãos e associações de bairro podem cobrar zoneamento, leis de uso do solo e investimentos em áreas que já estão loteadas mas ainda não têm serviços básicos.

A Paraíba tem 72,9% das feições urbanizadas classificadas como “densas”, acima da média nordestina (68,26%), o que indica que as cidades paraibanas são relativamente compactas. Mas a fatia de loteamentos vazios, muito acima da média nacional, acende um alerta: se esses terrenos forem ocupados de forma desordenada, a densidade pode cair e os custos de urbanização podem disparar.

O teste que espera prefeituras e compradores

A questão é se a expansão futura será planejada ou caótica. Os loteamentos vazios são um “estoque” de solo urbano. Se as prefeituras não exigirem contrapartidas de infraestrutura antes de liberar novos loteamentos, o custo da urbanização será empurrado para o poder público e, no fim, para o contribuinte. Para o comprador, o risco é adquirir um lote que nunca terá serviços ou que valorize lentamente.

Os dados do IBGE não apontam soluções, mas dão à sociedade paraibana um instrumento para discutir o crescimento das cidades. Cabe a prefeitos, vereadores e à população decidir se os loteamentos vazios virarão bairros completos ou apenas cicatrizes no mapa.

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