A morte da adolescente Alice Marques Cabral, de 13 anos, encontrada em Lucena nesta terça-feira (28), expõe um risco que atinge diretamente as famílias de Lucena e Rio Tinto: o aliciamento de jovens por facções criminosas. A Polícia Civil prendeu três suspeitos, e a investigação aponta que a jovem foi morta por suposta traição a uma facção, após ter sido acusada de comercializar drogas para um grupo rival. O crime, ocorrido após quase um mês de desaparecimento, acende um alerta para a comunidade sobre a vulnerabilidade dos adolescentes da região.
Alice deixou a casa da família em Rio Tinto no dia 22 de maio para morar em Lucena com dois homens. A última vez que foi vista com vida foi em 4 de julho. Um dos presos confessou e indicou onde o corpo estava enterrado. A adolescente foi morta com dois tiros na cabeça e golpes de arma branca. O corpo passará por exames no Instituto de Polícia Científica (IPC).
Por que isso importa: o caso mostra que o aliciamento de adolescentes por facções não é um problema distante e pode estar presente em cidades da Região Metropolitana de João Pessoa. A comunidade precisa saber onde buscar ajuda e como denunciar situações de risco.
Canais de denúncia disponíveis na Paraíba
Qualquer pessoa pode denunciar suspeitas de aliciamento ou exploração de adolescentes de forma anônima. O Disque 100, serviço da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo exploração e aliciamento de crianças e adolescentes.
O Conselho Tutelar é o órgão encarregado de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90). Ele pode ser acionado em casos de suspeita de aliciamento.
A Polícia Civil da Paraíba possui delegacias especializadas, como a Delegacia de Homicídios e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que investigam crimes relacionados a facções e tráfico de drogas, com envolvimento de adolescentes.
O Ministério Público da Paraíba, por meio da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, atua na defesa dos direitos de crianças e adolescentes, e pode receber denúncias e fiscalizar ações de proteção.
Como a comunidade pode se organizar
A mobilização local pode começar pelo contato com esses órgãos. Moradores de Lucena e Rio Tinto podem procurar o Conselho Tutelar da região para relatar situações de risco e pedir orientação. Também é possível acionar a Polícia Civil pelo 190 ou pelo número da delegacia regional.
Não há, nesta notícia, informações sobre audiências públicas ou reuniões comunitárias específicas em andamento. Mas a comunidade pode cobrar das autoridades locais, como a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, a criação de espaços de debate sobre a prevenção ao aliciamento de jovens. O Ministério Público da Paraíba pode ser demandado a acompanhar políticas públicas de proteção na região.
O que a comunidade espera das investigações e da prevenção
A investigação do assassinato de Alice Marques Cabral está em andamento. Os três suspeitos presos aguardam os procedimentos legais. Para a comunidade de Lucena e Rio Tinto, o caso levanta uma questão que vai além da punição: como evitar que outros adolescentes sejam aliciados por facções. A resposta depende da ação coletiva, desde denúncias anônimas até a cobrança de políticas de segurança e assistência social focadas na juventude.




