A decisão da federação PSOL/Rede na Paraíba de apoiar a pré-candidatura do governador Lucas Ribeiro (PP) à reeleição gerou uma crise interna. O ex-pré-candidato Olímpio Rocha (PSOL) afirma que a deliberação da diretoria estadual, aprovada por 8 votos a 4, não tem validade jurídica e anunciou que recorrerá à direção nacional da federação para tentar reverter o resultado e manter sua candidatura própria ao governo.

Há um racha estratégico: de um lado, a ala que defende a aliança com o grupo governista; do outro, o grupo de Rocha, que prega uma candidatura de esquerda independente. A informação foi publicada pelo portal WSCOM neste domingo (26). O imbróglio pode definir se a federação terá peso eleitoral real ou se será apenas coadjuvante na sucessão estadual.

O que a direção nacional pode decidir e em quanto tempo

O estatuto da Federação PSOL/Rede permite que a executiva nacional revise decisões de diretórios estaduais, especialmente em candidaturas majoritárias. O recurso de Olímpio Rocha já foi iniciado junto aos órgãos nacionais das duas legendas, segundo sua assessoria.

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O calendário eleitoral do TSE impõe um limite prático: o prazo para registro de candidaturas termina em agosto de 2026. Isso significa que a direção nacional precisa se manifestar antes desse prazo para que a decisão tenha efeito direto na chapa. Até o momento, não há data oficial para o julgamento do recurso pela Comissão Executiva Nacional da federação.

Os riscos políticos para a federação na Paraíba

Se a direção nacional mantiver o apoio a Lucas Ribeiro, o grupo de Olímpio Rocha pode ficar isolado ou optar por não compor a chapa, o que fragilizaria a unidade da federação e reduziria sua força eleitoral. Caso a decisão local seja revertida e a candidatura própria seja confirmada, a federação enfrentará o desafio de construir uma campanha competitiva contra a máquina governista, com menos tempo e recursos.

Historicamente, direções nacionais já intervieram em federações estaduais para evitar candidaturas conflitantes, como ocorreu na Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV). Esse precedente mostra que a executiva nacional tem poder para alinhar a estratégia, mas também corre o risco de desgastar a base local se a decisão for percebida como imposição.

O impasse que aguarda a executiva nacional

O caso agora depende do julgamento da Comissão Executiva Nacional da Federação PSOL/Rede, que pode homologar, alterar ou invalidar a deliberação do diretório paraibano. O que está em jogo é o nome do candidato e a capacidade da federação de se apresentar como alternativa viável ao eleitorado de esquerda na Paraíba. Se o recurso de Olímpio Rocha for aceito, a federação terá de correr contra o calendário para viabilizar a candidatura própria. Se for negado, o partido terá de digerir a derrota interna e engajar a militância em um palanque que não era o primeiro escolhido.

A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Olímpio Rocha e da direção nacional da federação, mas não conseguiu entrar em contato.

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