As 1.718.209 eleitoras da Paraíba representam 53% dos 3.247.397 paraibanos aptos a votar nas Eleições 2026. O número coloca as mulheres como o maior bloco eleitoral do estado, à frente dos homens, que somam 1.529.188 eleitores. A capital João Pessoa concentra o maior colégio eleitoral, com 585.279 eleitores, seguida por Campina Grande (304.181), Santa Rita (103.411), Bayeux (74.486) e Patos (67.982).

Os dados foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste sábado (25), segundo o g1 PB. O dado importa porque revela o potencial de influência feminina nas urnas, que ainda não se traduz em proporção equivalente de cadeiras nos legislativos estadual e federal.

Desafios da representatividade feminina na política paraibana

As mulheres são maioria do eleitorado, mas ocupam uma fatia pequena dos cargos eletivos na Paraíba. Nas eleições de 2022, o estado elegeu apenas 3 deputadas estaduais (de 36 cadeiras da Assembleia Legislativa) e 1 deputada federal (de 12 cadeiras na Câmara dos Deputados), segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).

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Um dos obstáculos estruturais é a exigência legal de que cada partido ou coligação destine no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas para cada sexo, conforme o artigo 10, § 3º, da Lei das Eleições (Lei 9.504/97). Na prática, as legendas cumprem a cota, mas as candidatas mulheres frequentemente recebem menos recursos de campanha e menos tempo de propaganda eleitoral, o que reduz a competitividade.

O TSE criou o Observatório de Violência Política contra a Mulher, que monitora e recebe denúncias de assédio e discriminação de gênero no ambiente político. O canal é um instrumento para tentar garantir a participação feminina sem violência.

Pautas prioritárias e organização das mulheres na Paraíba

Organizações de mulheres na Paraíba têm se mobilizado para que as candidatas assumam compromissos com pautas como combate à violência doméstica, ampliação do acesso à saúde, creches em tempo integral e igualdade salarial. Coletivos feministas, associações de bairro e sindicatos têm promovido rodas de conversa e debates para discutir propostas antes das eleições.

O programa ‘Mulheres na Política’, da Escola Judiciária Eleitoral do TSE, oferece cursos online gratuitos para capacitar mulheres a se candidatar e a atuar no combate à violência política de gênero. A iniciativa busca formar lideranças femininas para disputar eleições com mais preparo.

Como as eleitoras paraibanas podem se engajar

A participação ativa pode começar pelo voto consciente. As eleitoras podem acompanhar as propostas das candidatas e dos candidatos, cobrar compromissos com as pautas femininas e fiscalizar o cumprimento da cota de gênero nas chapas. É possível denunciar casos de violência política ao Ministério Público Eleitoral ou ao Observatório do TSE, pelo site do tribunal.

Outro caminho é integrar conselhos municipais de direitos da mulher, que existem em várias cidades paraibanas, como João Pessoa e Campina Grande, e participar das audiências públicas sobre o orçamento e as políticas públicas voltadas ao público feminino.

O que está em jogo para as eleitoras paraibanas

A decisão de 4 de outubro (primeiro turno) e, se necessário, de 25 de outubro (segundo turno) definirá quem ocupará os cargos de governador, senador, deputados federais e estaduais. Em nome das 1,7 milhão de eleitoras, as candidatas e candidatos eleitos terão o poder de aprovar leis e destinar recursos que afetam diretamente a vida das mulheres paraibanas. Resta saber se a maioria nas urnas se converterá em influência real nas decisões políticas do estado.

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