Novos elementos da Operação Perfídus indicam que um investigador da Polícia Civil da Paraíba também estaria envolvido na venda ilegal de anabolizantes. As informações partem de áudios interceptados pela própria investigação.
As conversas mostram o policial Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como Bomba, comentando sobre os lucros da atividade e estratégias para evitar a fiscalização, segundo o g1. A revelação abre uma nova frente de apuração sobre as atividades ilícitas de um grupo já acusado de desviar drogas.
O que dizem os áudios
Em um dos diálogos, o investigador afirma que a venda de anabolizantes rendia mais do que seu salário do Estado. “O cara que mais vende aqui sou eu, porque eu fidelizo a clientela. Os anabólicos deixam para mim mais do que o meu salário do estado. A polícia paga uma merreca”, disse ele.
Em outra conversa, Everton Rychelyson relata que limitava o volume de vendas para reduzir riscos. “Para mim, a quantidade que eu vendo me traz segurança. Porque, se cair na fiscalização, é mais fácil eu conseguir justificar alguma coisa. É mais fácil eu chegar e conseguir enquadrar no consumo”.
Contexto da Operação Perfídus
Everton Rychelyson é um dos alvos da operação, deflagrada em 2 de junho, que já prendeu o delegado Braz Morroni e o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o Mão Branca. A investigação aponta os três como integrantes de uma organização criminosa voltada ao desvio e venda de drogas e armas.
A apuração começou em fevereiro de 2025, após a denúncia de um traficante. Os investigadores analisaram mais de 40 mil áudios e calculam que o grupo movimentou cerca de R$ 10 milhões em negócios ilícitos em quatro anos.
Como funcionava o esquema de desvios
Segundo a Polícia Civil, traficantes aliados aos policiais informavam sobre carregamentos de drogas de grupos rivais. Os policiais apreendiam as drogas, desviavam parte delas e as repassavam de volta ao mercado por meio de traficantes da mesma organização.
O delegado Rafael Bianchi explicou o método. “Traficantes de confiança dos policiais informavam onde havia essa droga armazenada. Os policiais iam até o local, realizavam a subtração e repassavam essa droga para esses traficantes de confiança”.
A investigação também encontrou indícios de desfalque durante processos oficiais de incineração de drogas apreendidas.
O que observar a seguir
A descoberta dos áudios sobre anabolizantes amplia o escopo da Operação Perfídus. Agora, além do desvio de drogas e armas, os investigadores precisam apurar a extensão desse comércio ilegal e se há outros policiais envolvidos.
O caso coloca um foco adicional sobre os mecanismos de controle interno da Polícia Civil. A capacidade da corporação de investigar seus próprios agentes e promover correções de rumo será testada diante das graves acusações.
Os próximos passos incluem a análise aprofundada das novas evidências e o possível cumprimento de novos mandados, caso a investigação identifique mais envolvidos no esquema de anabolizantes.




