Dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal mostram que ele se definia como o “número 1” do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em conversa de 2 de fevereiro de 2025 com o diretor jurídico do Banco Master, Vorcaro chamou Motta de “amigo irmão”, um dia após o deputado paraibano ser eleito para o comando da Casa com 429 votos e apoio de 17 partidos. A informação é da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, publicada nesta segunda-feira (21).
A revelação expõe uma tensão real para o eleitor paraibano: o presidente da Câmara, natural de Patos e figura de projeção nacional, aparece em meio a uma investigação que apura se o banqueiro usou sua influência para obter vantagens indevidas de políticos. O que está em jogo é a credibilidade do mandato de Motta e a leitura que o público fará de sua relação com Vorcaro.
O que os dados mostram sobre a proximidade
As mensagens e os encontros registrados pela PF revelam uma relação que vai além do contato institucional. Vorcaro se apresentava como próximo de Motta e se colocava como o principal interlocutor do deputado dentro do Banco Master. Em outra ocasião, em março de 2025, Vorcaro afirmou à então namorada que Motta e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) estavam em sua casa para conversar com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A investigação aponta que Vorcaro teria custeado estadias de Motta em Lisboa em 2024 e pago uma conta de US$ 1,02 milhão (cerca de R$ 5,8 milhões) em um evento em Nova York em maio de 2024, com a presença do deputado. A PF também cita que o banqueiro pagou suítes em hotel de Lisboa para Motta e para Ciro Nogueira, que é investigado por suspeita de receber vantagens indevidas do Banco Master em troca de atuação no Congresso.
Esses fatos, ancorados nos dados da PF, mostram um padrão: Vorcaro tratava Motta como um aliado próximo, em um contexto em que o banqueiro é alvo de investigação. A relação incluía viagens internacionais e pagamentos de alto valor.
Impacto político imediato para Hugo Motta
Hugo Motta foi eleito presidente da Câmara em 1º de fevereiro de 2025, com amplo apoio de partidos como PL e PT. A posição o expõe a escrutínio. As revelações sobre sua relação com Vorcaro, mesmo que ele não seja formalmente investigado, criam desgaste.
O que é fato: Motta não respondeu às perguntas sobre o conteúdo das mensagens até a publicação da reportagem. A assessoria do deputado foi procurada, mas não houve manifestação. O espaço continua aberto para posicionamento.
O que é interpretação: A ausência de resposta imediata, combinada com a gravidade dos indícios (pagamentos de contas milionárias e viagens custeadas), tende a alimentar questionamentos sobre a independência de Motta em relação ao banqueiro. Para o eleitor paraibano, o caso pode redefinir a percepção sobre seu mandato.
O que está em jogo e o que pode virar
A investigação da PF sobre o Banco Master ainda está em curso. As mensagens de Vorcaro são uma peça de um quebra-cabeça maior, que inclui outros políticos. Para Hugo Motta, o risco imediato é o desgaste político: ele preside a Câmara em um momento de negociações sensíveis com o Executivo e o Judiciário, e qualquer sombra de suspeita pode enfraquecer sua capacidade de articulação.
Não há, até agora, indicativo de que Motta seja alvo de investigação direta. Mas os fatos conhecidos colocam o deputado em uma posição delicada. O desfecho dependerá do que a PF ainda pode encontrar nos 32,7 mil arquivos, 10,8 mil chats e 17 mil áudios extraídos do celular de Vorcaro.
A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Hugo Motta, mas não conseguiu entrar em contato.




