As campanhas eleitorais na Paraíba já acumulavam R$ 70,8 milhões em despesas declaradas até esta terça-feira (10), segundo dados do DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse total, R$ 66,4 milhões saíram de recursos públicos, o que equivale a mais de 1.000 vezes o valor de contratos específicos de pequenos municípios paraibanos.
Para o eleitor, o volume de dinheiro público em jogo ajuda a dimensionar o peso das acusações de abuso de poder econômico que circulam na campanha, como a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pede a cassação do senador Veneziano Vital do Rêgo por suposto uso do DNIT em obras da BR-230. O valor total das despesas, e a fatia pública dele, é o pano de fundo financeiro de toda a disputa.
Os candidatos e partidos declararam R$ 66,4 milhões vindos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e R$ 4,5 milhões de recursos privados. O levantamento foi divulgado a partir da prestação parcial de contas, que a Justiça Eleitoral passou a disponibilizar na terça-feira (10), segundo o Brejo News. Os números ainda podem mudar com novas movimentações até o fim do pleito.
O que R$ 66,4 milhões compram em pequenas cidades da PB
Para dar escala ao montante público gasto nas campanhas, é possível compará-lo com contratos de municípios pequenos da Paraíba. Em Duas Estradas, a prefeitura fechou um contrato de R$ 61 mil para aluguel de brinquedos e alimentação, valor 1.085 vezes menor que os R$ 66,4 milhões. Em Caaporã, a prefeitura gastou R$ 4,5 milhões em aluguel de veículos, o equivalente a apenas 6,8% dos recursos públicos de campanha.
O valor destinado às eleições paraibanas em um único pleito supera com folga o custo de serviços públicos essenciais em municípios com menos de 10 mil habitantes. A comparação não é linear, pois o orçamento anual de uma cidade inteira inclui folha de pessoal, saúde e educação, mas expõe a concentração de dinheiro público no processo eleitoral.
A conta que a Justiça Eleitoral ainda vai detalhar
A prestação parcial de contas, recém-divulgada, não informa qual o percentual total do FEFC destinado à Paraíba que já foi efetivamente gasto. Tampouco discrimina, por enquanto, se há relação direta entre as despesas declaradas e as obras da BR-230 que motivaram a AIJE contra Veneziano. O prazo para julgamento da ação também não foi definido.
A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de João Azevêdo, mas não conseguiu entrar em contato. O que se sabe até agora é que, com R$ 66,4 milhões em recursos públicos já registrados, o custo da campanha paraibana segue aberto a novos lançamentos até o fim do período eleitoral, e qualquer irregularidade apontada em ações judiciais terá esse volume financeiro como pano de fundo.




