O cidadão paraibano é o principal atingido pelo afastamento de três policiais civis investigados por desvio de drogas na Paraíba. A decisão, tomada nesta quarta-feira (2) pela 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital, atinge diretamente a confiança na segurança pública e levanta a questão de como a população pode fiscalizar e denunciar irregularidades na corporação.

A ação de improbidade administrativa, movida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), tem como alvos o delegado Braz Morroni de Paiva Junior, titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio da Capital (DCCPAT), e os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. Os policiais foram afastados por 90 dias, prorrogáveis por mais 90, com bloqueio de bens que chega a R$ 866.134,86 no caso de Everton Rychelyson.

Onde denunciar casos de desvio de drogas por policiais

O MPPB, autor da ação, é o canal mais direto para denúncias de improbidade e desvio de conduta de agentes públicos. O cidadão pode registrar suspeitas de desvio de drogas ou de conivência de policiais com o tráfico por dois caminhos principais:

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  • Ministério Público da Paraíba (MPPB): pelo site oficial (mppb.mp.br), na seção “Denúncia Online”, ou presencialmente na Ouvidoria do órgão em João Pessoa, Campina Grande e Patos.
  • Corregedoria da Polícia Civil da Paraíba: canal interno para denúncias contra agentes da corporação. O contato pode ser feito pelo telefone (83) 3218-6800 ou na sede da Corregedoria, em João Pessoa.

O portal Alerta Paraíba já publicou guias de como acionar o MPPB em casos anteriores, como maus-tratos a animais e bets irregulares. O procedimento para denunciar desvio de drogas segue a mesma lógica: o cidadão deve fornecer o máximo de detalhes possíveis, local, data, nomes de envolvidos e, se houver, provas como fotos, vídeos ou testemunhas.

Como acompanhar o processo judicial da Operação Perfidus

A ação de improbidade tramita na 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital, sob a decisão do juiz José Gutemberg Gomes Lacerda. Para acompanhar o andamento:

  • Acessar o site do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB): em tjpb.jus.br, na seção “Consulta Processual”, com o número do processo (que ainda não foi divulgado publicamente).
  • Buscar pelo nome dos réus: Braz Morroni de Paiva Junior, Everton Rychelyson da Silva Aires ou Eduardo Jorge Ferreira do Egito.
  • Acompanhar os comunicados oficiais do MPPB: o órgão costuma divulgar atualizações sobre ações de improbidade em seu site e redes sociais.

A decisão judicial já determinou o bloqueio de bens via sistemas Renajud (veículos) e CNIB (imóveis), mas o número do processo ainda não foi disponibilizado pela fonte original, o que limita o acompanhamento imediato. O cidadão pode, no entanto, cobrar da Corregedoria da Polícia Civil e do MPPB a divulgação do número para transparência pública.

O efeito concreto sobre a segurança em João Pessoa

O delegado afastado era titular da DCCPAT, delegacia responsável por investigar crimes patrimoniais em João Pessoa. Com o afastamento, a unidade fica sem seu comandante, o que pode impactar a apuração de roubos, furtos e receptação na capital. A acusação do MPPB aponta que os policiais usavam a estrutura da polícia para interceptar carregamentos de drogas e reinseri-los no mercado ilegal, um esquema que, segundo a decisão, envolvia rastreamento clandestino de veículos de traficantes e adulteração de boletins de ocorrência.

A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta da Polícia Civil da Paraíba sobre a substituição temporária do delegado na DCCPAT, mas não conseguiu entrar em contato até o fechamento desta edição.

O que está em jogo: a credibilidade da Polícia Civil paraibana

A Operação Perfidus coloca sob suspeita a própria estrutura de controle interno da Polícia Civil. O caso envolve um delegado titular e dois investigadores que, segundo o MPPB, agiam articulados com traficantes. A decisão judicial cita um exemplo concreto: a apreensão de cerca de 60 kg de maconha, dos quais uma quantidade muito menor foi encaminhada para perícia. O desvio, se confirmado, não é um ato isolado, mas um esquema que dependia de falhas na fiscalização interna.

O cidadão paraibano, que paga impostos e depende da polícia para sua segurança, é quem arca com o custo da desconfiança. Os canais de denúncia existem, mas só funcionam se a população souber usá-los e se os órgãos responderem com transparência. O número do processo, ainda não divulgado, é um primeiro passo que a Corregedoria e o MPPB podem dar para que o cidadão não seja apenas espectador do desfecho.

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