A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram nesta sexta-feira (28) a Operação Jogo de Sombras, que investiga sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no mercado de apostas esportivas. Um dos seis mandados de busca e apreensão foi cumprido em João Pessoa. A ação ocorre 15 dias após a Operação Integration, que também mirou o setor de bets e teve alvos em Campina Grande e Serra Branca.
A diferença principal entre as duas operações está no alvo e na escala:
- A Integration atingiu a Vai de Bet, empresa de origem paraibana, com 19 mandados em seis estados e sequestro de até R$ 2,1 bilhões;
- A Jogo de Sombras tem como alvo o grupo NSX, proprietário da Betnacional, com seis mandados em três cidades, João Pessoa, Recife e São Paulo. Não houve mandados de prisão em nenhuma das duas fases.
O que a Jogo de Sombras tem de diferente
A investigação atual apura indícios de que o grupo NSX usou uma empresa de fachada registrada em Curaçao, no Caribe, para simular que a operação da plataforma ocorria fora do Brasil antes da regulamentação do mercado de apostas. Os investigadores suspeitam que empresas nacionais ligadas ao mesmo grupo eram as responsáveis reais pela exploração das atividades no país.
Outro mecanismo sob suspeita é o uso de “contas-bolsão” em fintechs para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras. A Receita também apura se despesas fictícias foram declaradas após a regulamentação para reduzir tributos devidos. Foram instaurados 11 procedimentos fiscais relacionados ao caso.
A estimativa preliminar de movimentação suspeita é de aproximadamente R$ 5 bilhões, caso as irregularidades sejam confirmadas. Esse valor, no entanto, não está vinculado diretamente à Paraíba, a operação tem abrangência nacional.
O que isso significa para o apostador paraibano
A presença de mandados em João Pessoa mostra que o mercado de bets no estado continua no radar dos órgãos federais. Na Operação Integration, as investigações começaram a partir de pessoas físicas e jurídicas sediadas em Campina Grande envolvidas na comercialização de créditos de jogos online. Na Jogo de Sombras, ainda não foi divulgado oficialmente quem é o alvo do mandado cumprido na capital paraibana.
Até a publicação desta nota, Receita e MPF não haviam informado o nome da pessoa ou empresa alvo em João Pessoa. A identidade deve ser esclarecida na coletiva de imprensa marcada para as 10h45 desta sexta.
O que está em jogo com o cerco às bets na Paraíba
As duas operações em 15 dias indicam que a Receita Federal e o MPF tratam o setor de apostas como prioridade de investigação. Apesar das semelhanças, ambas apuram sonegação, evasão e lavagem de dinheiro. Não há informação oficial de que os casos tenham conexão entre os alvos ou façam parte da mesma investigação.
A exposição da Paraíba como território de atuação de grandes plataformas de bets gerou repercussão nacional. O cerco apertou contra empresários investigados por possíveis irregularidades, e novas operações não estão descartadas.




