O prefeito de Caaporã, Chico Nazário (União Brasil), que é o atual vice-prefeito no exercício da prefeitura,, foi afastado do cargo na manhã desta quinta-feira (20) durante a Operação Purgatório, do Ministério Público da Paraíba e da Polícia Civil. O leitor agora quer saber: como o dinheiro sumia dos cofres municipais e o que muda no dia a dia da cidade?
A investigação aponta que o esquema fraudava contratos públicos, principalmente os de coleta de lixo, e usava dispensas ilegais de licitação para desviar recursos. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 2 milhões, segundo as apurações do MPPB e da Polícia Civil, que deram início à operação nesta quinta (20). Chico Nazário não se manifestou publicamente até a publicação desta reportagem. A redação do Alerta Paraíba procurou a defesa do prefeito, mas não conseguiu contato até o fechamento do texto.
Por que isso importa para o paraibano: Caaporã, cidade de cerca de 22 mil habitantes no Litoral Sul, fica sem o chefe do Executivo em meio a um processo eleitoral. O caso também acende o alerta sobre como contratos de serviços básicos, como a coleta de lixo, podem esconder desvios que afetam a qualidade do serviço prestado à população.
O mecanismo do desvio
De acordo com as investigações, o esquema usava três frentes principais para desviar dinheiro público:
1. Fraudes em licitações: As contratações eram feitas sem seguir o rito legal de concorrência pública. Em vez de abrir disputa entre empresas, a prefeitura fechava contratos diretos, alegando urgência ou inexigibilidade de licitação.
2. Contratos superfaturados de coleta de resíduos: O alvo principal era o serviço de lixo. As empresas contratadas recebiam valores acima do mercado, e a diferença era desviada. O morador de Caaporã pagava por um serviço mais caro do que o devido, sem contrapartida em qualidade.
3. Lavagem de dinheiro: Parte dos recursos desviados passava por empresas de fachada e contas bancárias em Pernambuco, daí os mandados cumpridos fora da Paraíba. O dinheiro era “limpo” antes de voltar para os investigados.
Quem mais foi atingido pela operação
Além do afastamento do prefeito, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços na Paraíba e em Pernambuco. Doze pessoas são investigadas no total, incluindo servidores municipais e empresários. Os nomes não foram divulgados oficialmente até a publicação desta matéria.
O impacto nos serviços públicos de Caaporã
Com o prefeito afastado, quem assume interinamente é o presidente da Câmara Municipal, Wilton Alencar. Na prática, a gestão municipal segue funcionando, mas o quadro de investigados pode incluir outros servidores da administração. Isso significa que serviços como coleta de lixo, emissão de documentos e funcionamento de postos de saúde podem sofrer lentidão enquanto a situação se estabiliza.
O MPPB informou que o afastamento cautelar busca justamente interromper possíveis irregularidades em andamento e preservar provas. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada investigado e verificar se há mais envolvidos.
A conta que a Câmara de Caaporã ainda vai ter de pagar
O afastamento de Chico Nazário coloca a Câmara Municipal diante de uma decisão política: apoiar a gestão interina ou tentar articular uma nova eleição indireta, caso o afastamento se prolongue. Para o contribuinte paraibano, o caso serve de alerta sobre a fiscalização de contratos de serviços essenciais, e sobre como esquemas de desvio de R$ 2 milhões podem começar por uma dispensa de licitação que ninguém questionou.




