A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas convenções partidárias dos candidatos Lucas Ribeiro (PP) e Cícero Lucena (PP) na Paraíba virou assunto nos bastidores políticos. O fato de o maior líder do PT não ter participado dos eventos que oficializaram as candidaturas de dois aliados levantou questionamentos entre militantes e dirigentes sobre a estratégia da sigla no estado.

As convenções ocorreram dentro do calendário eleitoral fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelece o período de 20 de julho a 5 de agosto para a escolha de candidatos e coligações. A legislação eleitoral (Lei nº 9.504/97) permite a participação de autoridades e líderes partidários em convenções, desde que não haja pedido explícito de voto antes do período de campanha. Apesar disso, Lula não marcou presença.

As possíveis razões por trás da ausência

Não há confirmação oficial do PT nacional ou das direções estaduais sobre o motivo da ausência. Nos bastidores, circulam duas explicações. A primeira é que a estratégia busca evitar associar a imagem de Lula a candidatos locais que podem ter rejeição ou aprovação diferentes da figura do presidente. Pesquisas do Instituto Datafolha na Paraíba nos últimos meses indicam níveis variados de aprovação de Lula, o que pode influenciar o cálculo político.

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A segunda linha aponta que a ausência segue uma diretriz nacional do PT de adaptar o uso da imagem do presidente às realidades regionais. O partido tem documentos oficiais que orientam a formação de alianças e o uso da figura de Lula em campanhas estaduais, mas a aplicação prática depende de cada estado. Na Paraíba, a aliança entre PP e PT já gerou tensões internas, e a ausência de Lula pode ser uma forma de não desgastar a imagem do presidente em uma disputa local onde o governador Lucas Ribeiro e o ex-prefeito Cícero Lucena são os cabeças de chapa.

O que a ausência pode significar para a campanha

A ausência de Lula tem efeitos mistos. Por um lado, evita que a campanha local seja nacionalizada, o que poderia atrair críticas de opositores que miram o governo federal. Por outro, retira dos candidatos um trunfo de campanha: a presença do presidente da República, que ainda mantém popularidade entre parte do eleitorado paraibano.

O vice na chapa de Lucas Ribeiro será o deputado estadual Adriano Galdino (Republicanos), escolha que, segundo especulações, teria sido imposta pelo PT nacional como condição para a aliança. A relação entre PT e Republicanos na Paraíba é outro fator que pesa na decisão de não expor Lula diretamente.

O que falta para entender a estratégia

O debate continua sem posição oficial. A discussão só se resolve com uma declaração pública do PT estadual ou dos candidatos sobre o planejamento da campanha e o papel de Lula. Até lá, a ausência do presidente nas convenções segue como um sinal de que a aliança entre PT e PP na Paraíba é mais pragmática do que ideológica, e que a imagem de Lula será usada com cautela, medida pelo que as pesquisas mostrarem nos próximos meses.

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